Porto em Escala 1:1

Categoria

Guias do Porto Histórias do Porto

Autor

Livraria Lello

Foto: Ribeira

No Porto vive-se bem.

O Porto tem muitas belezas.
A história, o futuro, as gentes e o sotaque são algumas delas.
A vivência não o é menos.
No Porto trabalha-se desde sempre.
No Porto é –se genuíno desde que aqui se trabalha.
E, no Porto, desde que se é genuíno, se sabe viver.
Moremos aqui (desde) sempre, só de vez em quando, ou apenas alguns dias, que no Porto vive-se sempre bem. Muito bem.
E não, não tem rigorosamente nada a ver com o dinheiro que se tem. Ou que não se tem.

O Porto vive-se bem.

No Porto vive-se bem porque o Porto vive-se bem.
Vive-se bem na comida, farta, boa, variada e, literalmente, para todas as bolsas.
Vive-se bem no que, não sendo comida, os olhos também comem: as vistas.
No Porto há mar amplo e há rio escarpado.
Há um dos maiores parques urbanos da Europa e há cidade densa como não há fora da Europa. Pelo menos assim.
Há ruas estreitas e casario histórico, mesmo ao lado de avenidas amplas e ícones da arquitetura contemporânea. Feitos cá no burgo como noutros burgos.
Há ruas que se descem e que se sobem e há rotundas, praças e avenidas nas quais a planura nos faz flutuar. E bicilar. Indo do rio ao mar, por exemplo.

O Porto de Escala certa.

Se olharem o mapa da cidade, verão como o Porto, anguloso no feitio, é quase redondo na sua forma.
Redondo mas jamais obeso.
Somos uma cidade quase circular, com escala quase perfeita.
Uma cidade onde se anda de muitas formas.
De elétrico de janelas abertas e ruídos de carpintaria antiga; como de autocarro de dois andares, tenha ele teto ou seja ele um belo descapotável. Anda-se de metro acima e abaixo da terra. E muito acima do rio, numa ponte mais do que centenária.

O Porto Andante.

No Porto anda-se porque se pode andar.
Tal como se deixa conhecer em poucos dias, nunca se esgotando por muitos anos que passem, a escala do Porto permite-nos que o calcorreemos sem medo.
Nesta cidade, nada é demasiado longe e tanto é-nos extremamente próximo.
Da ribeira à Lello, faz-se em 5 minutos. Em dez ,se se vier a conversar calmamente, como as conversas devem ser.
Da Lello à Casa da Música, não demoramos mais de 15 minutos. Já a conversar bem e sem pressas.
E da Casa da Música a Serralves, é menos de meia hora sempre a descer.
De Serralves, já se sabe, é um pulinho descendente até ao mar ou, se preferirmos deitar-nos na relva, ao extraordinário parque desta cidade.

Viva, pois, com calma este Porto de escala certa, para que tenha forças para a noite total na cidade total.
A noite onde todos – ricos e pobres, novos e velhos – nos juntamos em uníssono para celebrar um pretexto João que fizemos santo e um fim chamado Porto que, na manhã de dia 24, aparece sempre como um Porto que se nos começa.

Lino Teixeira

Sobre o autor:

Lino Miguel Teixeira (1977) é licenciado em Relações Internacionais (área de especialização em Estudos Europeus) pela Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra. É consultor de comunicação e estratégica de projetos de intervenção no território através dos eixos culturais e criativos. Atualmente é assessor do Gabinete do Ministro da Educação.