PORTO BY Rui Lage

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Autor

Livraria Lello

Rui Lage nasceu na cidade do Porto em 1975. Publicou sete livros de poesia entre 2002 e 2016, entre os quais Estrada Nacional (distinguido com o Prémio Literário da Fundação Inês de Castro em 2016 e finalista, em 2017, do Prémio P.E.N. Clube de Poesia), e de ensaio (com destaque para Manuel António Pina, publicado pela Imprensa da Universidade de Coimbra em 2016), bem como de artigos científicos, crítica literária, ficção infantojuvenil e antologias. Traduziu obras de Paul Auster, Pablo Neruda, Samuel Beckett e Carl Sagan. É atualmente professor de História Cultural do Teatro na Universidade Lusófona e assistente parlamentar no Parlamento Europeu, onde trabalha nas áreas dos assuntos externos e dos direitos humanos. O seu primeiro romance, O Invisível, foi distinguido com o Prémio Revelação Agustina Bessa-Luís 2017 e será publicado pela Gradiva em 2018.

. O meu local preferido é… a zona das Virtudes.

. O que eu mais gosto no Porto é… a identidade do Porto, o modo de ser do Porto, embora seja intraduzível, indizível de certa forma.

. Os portuenses são… francos.

. Uma história marcante… uma que já pus em livro, num livro de literatura infantojuvenil, que foi uma aventura em que estive envolvido com primos em Trás-os-Montes na altura das férias. Decidimos explorar uma mina de água ao pé de uma fonte onde passávamos a caminho de casa, uma mina que consistia num túnel bastante comprido. Decidimos organizarmo-nos para fazer a expedição, fomos buscar cordas, lanternas, mantimentos, fósforos, uma série de coisas que com 8 ou 9 anos achamos que eram imprescindíveis. Avançamos pela mina fora, não percebendo que podiam haver poços, sítios onde tivéssemos ficado ou magoado. Depois de termos percorrido o corredor principal, virámos à esquerda e tivemos uma bela surpresa: acordámos uma colónia de morcegos que ficava ali durante o dia, ficaram em pânico, nós ficamos em pânico com o pânico dos morcegos, os morcegos quiseram sair rapidamente da mina com o susto mas o corredor era tão estreitinho e tão baixo que não havia espaço para que todos saíssemos ao mesmo tempo. Então fomos recuando aos gritos, de costas, enquanto os morcegos nos batiam na cara e nos arranhavam, e só quando nós conseguimos sair da mina é que os morcegos conseguiram sair da mina também.

. A cultura no Porto é… fervilhante mas talvez excessivamente monopolizada pela câmara municipal, ou seja, como se a câmara municipal fosse uma híper, uma macro estrutura cultural. O meu receio é que a Câmara comece a substituir-se um pouco aos agentes culturais da cidade; não quero obviamente criticar um excesso de investimento na cultura quando antes criticava o défice de investimento na cultura mas penso que se deve encontrar um equilíbrio. A Câmara pode correr o risco de, com o tempo, se tornar demasiado hegemónica e substituir os programadores e os agentes culturais. Tirando esse risco e essa inquietação, acho que neste momento a cultura no Porto vive um momento excecional.