PORTO BY Dylan Silva

Categoria

Porto By

Autor

Livraria Lello

Dylan Silva nasceu na Suíça e mudou-se para Portugal com cinco anos, em 1999. Fez o ensino secundário na Marinha Grande em artes visuais. Mora no Porto desde 2012, ano em que entrou no curso de Multimédia e Artes Plásticas na Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto, a cidade pela qual se apaixonou e que considera muito especial.

Pinta desde criança e enquanto artista sente-se inspirado pelas formas do corpo humano e pelas suas tonalidades, pintando sobretudo corpos e caras com cores fortes criadas a partir de aguarelas.

Organiza mensalmente em conjunto com Mariana Malhão o evento “Sábado-Feira” no Espaço Maus Hábitos. Com entrada livre, trata-se de uma feira de artes diversas – pintura, ilustração, street art, cerâmica, prints, zines. Tem colaborado com alguns artistas e participado em exposições individuais e coletivas, as mais recentes: Box 32”Porto” (showcase de design de moda e exposição de ilustrações e colaboração com Pedro Neto); “Out of the blue you were free” que esteve patente na Ò Galeria no Porto e na P7 Gallery em Berlim.

. O meu local preferido é… o Bolhão. Vamos lá almoçar muitas vezes; gosto de falar com as vendedoras, daquela cultura de bairro e de feira. Gosto de ir às plantas e a senhora que vende lá consegue sempre dar-nos a volta e acabamos por comprar alguma coisa.

. O que eu mais gosto no Porto é… as pessoas e a sua autenticidade. Existe um grande contraste entre as pessoas do Porto e de Lisboa. Aqui à partida podem parecer mais frias e arrogantes, simplesmente são verdadeiras e vão dizer aquilo que pensam realmente, sem filtros, sem “paninhos quentes”. Mesmo que a resposta seja um pouco bruta, as pessoas não têm qualquer tipo de problema em responder-te.

. Os portuenses são… autênticos. Dizem as coisas sem filtros. São um povo unido, com opiniões parecidas.

. Uma história marcante… no primeiro ano da faculdade eu estava a morar numa casa com pessoas do quarto ano e apareceu na nossa varanda uma gaivota com uma asa atrofiada. Perguntei aos meus colegas o que íamos fazer e eles disseram para não fazermos nada. Eu pensei que não podíamos deixar o animal morrer ali. Ela não voava e ao fim de dois dias eu comecei a levar-lhe comida. Houve um dia que começou a chover torrencialmente, eu peguei num caixote de cartão e metia-a dentro de casa. Fui para a faculdade e quando voltei das aulas fomos levá-la ao parque natural de Gaia. Sou oficialmente o padrinho da gaivota.

. A cultura no Porto é… está em desenvolvimento, está a crescer imenso, com cada vez mais pessoas dentro desta área. Devia haver mais apoios – e melhor divulgados – e mais oportunidades mas, ainda assim, existem algumas oportunidades e acho que as pessoas têm de estar mais atentas, ser mais proactivas. Sabemos que a nossa área é complicada devido à instabilidade financeiras mas se não tomarmos a iniciativa ainda vai ser pior; as pessoas têm de fazer as coisas acontecer.