Adélia Carvalho nasceu em Penafiel e é licenciada em Educação de Infância. Conta e escreve histórias para os mais novos, marcando habitualmente presença nos mais diversos eventos literários, assim como em representações Internacionais. Os seus livros estão traduzidos e editados em diversos países. Em 2016 foi convidada pelo governo da China para Participar na Shangai International Children’s Book Fair e em 2013 foi nomeada para o Prémio SPA (Sociedade Portuguesa de Autores) com o livro “O Rei Vai à Caça”. Adélia Carvalho é ainda fundadora da editora TCHARAN e da Livraria Papa-Livros, juntamente com a ilustradora Marta Madureira.
. O meu local preferido é… a Livraria Lello porque nos representa a todos e é um santuário dos livros, das pessoas que fazem os livros e dos leitores. Sem dúvida que a nós escritores nos enche a alma e o coração ter um espaço destes, onde vemos que as pessoas compram livros, gostam de livros; é brutal para nós. Passa-se uma mensagem a quem dizia que os livros iam acabar com as novas tecnologias, esses maus presságios, que os livros tinham os dias contados; a Lello contraria tudo isso, o livro está no nosso ADN e vai continuar a estar por largos e bons anos.
. O que eu mais gosto no Porto é… sinceridade das pessoas e a forma como enfrentamos as coisas.
. Os portuenses são… sinceros.
. Uma história marcante… o facto de eu ser uma escritora, filha de pais muito pouco escolarizados. A minha mãe tinha a terceira classe, o meu pai não sabia ler nem escrever. Esteve em França emigrado para onde foi a pé, deixando a mulher e os sete filhos para quem enviava dinheiro. Para mim foi uma vingança pessoal pois desde pequenina percebia a dor dos meus pais. O meu pai pedia a outras pessoas para lhe escreverem as cartas para a minha mãe, para lerem as dela. Mesmo para a minha mãe, sabendo ler, não tinha livros; fazia uma coisa muito bonita: quando a mãe dela comprava peixe vinha embrulhado em jornal e a alegria da minha mãe – para além de comer peixe naquela altura -, era alisar o jornal para ter qualquer coisa para ler, mesmo sendo notícias desatualizadas para ela aquilo era ouro. Eu sentia que os livros me salvavam, me ajudavam a encontrar ou apaziguar dores ou a trazer alegrias. Sempre senti que os livros me davam isso e talvez daí perceber que o meu caminho podia ser por aí, enquanto criança, adolescente, como adulta, os livros sempre me compensaram fraquezas.
. A cultura no Porto é… original. Uma cultura em que não estamos à espera de subsídios. É uma cultura de sobrevivência e que nos obriga a ser mais originais e a procurar outras respostas.