PORTO BY Abi Feijó

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Livraria Lello

Abi Feijó nasceu em Braga em 1956. Licenciado em Arte Gráfica e Design pela Escola Superior de Belas Artes do Porto foi no primeiro Cinanima (1977) que descobre as potencialidades artísticas do Cinema de Animação. Em 1984 frequenta um estágio no Office National du Film du Canada, sob a orientação de Pierre Hébert, onde realiza o seu primeiro filme Oh que Calma (1985). De regresso ao Porto funda, em 1987, a Filmógrafo – Estúdio de Cinema de Animação do Porto onde privilegia o filme de autor e uma abordagem artesanal do Cinema de Animação. No Filmógrafo, Abi Feijó exerce ainda as funções de produtor e de conselheiro artístico. Orienta vários estágios e acções de formação um pouco por todo o mundo. Funda em 2000, e preside até 2004, a Casa da Animação, um centro cultural dedicado ao Cinema de Animação. Em 2002 funda a Ciclope Filmes, uma nova produtora de animação. Obteve cerca de 40 prémios e menções em diversos Festivais Internacionais.

. O meu local preferido é… quando morava no Porto gostava muito de ir à Livraria Lello, à Ribeira, à Foz, gostava muito da zona do Palácio das Sereias, Miragaia. Hoje são zonas invadidas por turistas.

. O que eu mais gosto no Porto é… do ambiente do centro histórico, desta geografia. Gosto muito de ver mas é impossível de se habitar. As ruas são tão estreitas que não entra um raiozinho de sol. É muito bonito para se visitar mas para viver é complicado.

. Os portuenses são… acolhedores. Muitas vezes comparamos Porto e Lisboa; em Lisboa as pessoas vivem todas na rua, para o exterior. No Porto talvez seja mais difícil de entrar porque as pessoas estão mais dentro de casa, dentro dos seus círculos de amigos, mas quando são amigas são-no verdadeiramente.

. Uma história marcante… quando eu era jovem, nos anos 70, gostava de ir com um grupo de amigos para a Foz, para o molhe, em dias de tempestade porque as ondas vinham e varriam aquele molhe todo. Às tantas um amigo “eh pá estás a ver ali, a água vem por ali e depois faz assim e tem ali uma zona que se uma pessoa se puser assim vemos a água a passar por cima, vai ser fixe”. E de facto no primeiro momento é fantástico mas depois apanhamos uma molha desgraçada.

. A cultura no Porto é… na minha área, o cinema de animação, o Porto é um dos centros mais interessantes, um pouco devido à presença do Cinanima aqui em Espinho. Há uma série de Pessoas no Porto a fazer cinema de animação cujo trabalho é muito mais interessante do que se faz em Lisboa. Em Lisboa estão mais preocupados com as coisas comerciais, com a rentabilidade, raramente deram a devida atenção às potencialidades que o Cinanima representava e em vários momentos tem sido no Porto que se concentram os projetos mais interessantes de cinema de animação. Temos também na zona Norte o Banda à parte em Guimarães, o festival de Vila do Conde. O Grande Porto é o sítio de onde têm saído os projetos mais interessantes do cinema de animação em Portugal.

A cultura no Porto levou um grande impulso com o Porto 2001 e logo a seguir uma grande catanada com o Rui Rio. Projetos para o futuro, lançar bases para dinamizar culturalmente a cidade… e quando acabou o 2001, entrou o Rui Rio na Câmara do Porto e foi política de terra queimada, destruiu tudo. As coisas agora começam a arrebitar um pouco novamente. O Paulo Cunha e Silva deu também um grande impulso.