A história do escritor Camilo Castelo Branco sai à rua este verão

Categoria

Visitar

Autor

Livraria Lello

Este verão há mais um motivo para visitar a centenária Livraria Lello: uma peça de teatro ao ar livre sobre Camilo Castelo Branco, o escritor português que ficou eternizado pela sua obra maior, o “Amor de Perdição”. Todos os sábados e domingos, nos meses de agosto e setembro. A entrada é gratuita.

Sabia que Camilo Castelo Branco escreveu a sua obra-prima “Amor de Perdição” na prisão, em apenas 15 dias? Que era mais amante da vida boémia e das disputas em cafés literários do que um estudante exemplar? Ou que foi preso e acusado de “copolar com uma mulher casada” num julgamento presidido pelo pai de Eça de Queirós e que emocionou a opinião pública?

O escritor português tem uma forte ligação à cidade do Porto, onde estudou e viveu grande da sua vida e onde viria a falecer na sequência de graves problemas de saúde que lhe tiraram a vontade de escrever e a vontade de viver – o seu corpo está sepultado no cemitério da Venerável Irmandade de Nossa Senhora da Lapa, que ainda hoje pode ser visitado.

Estas e outras curiosidades vão ser reveladas na peça de teatro “Camilo na Rua” que este verão sai à rua para dar a conhecer a vida e obra de um dos escritores portugueses mais conceituados da época do romantismo.

A peça “Camilo na Rua” pode ser vista todos os sábados e domingos, nos meses de agosto e setembro, entre 19 de agosto e 24 de setembro, às 11h e às 17h, em frente à Livraria Lello. Há sessões em português e em inglês e a entrada é livre.

Se quiser conhecer melhor a obra do escritor pode encontrar no interior da Livraria a obra completa do autor em português e os seus diversos romances. Aproveite ainda para visitar o edifício do Centro Português de Fotografia (CPF) onde funcionou até ao 25 de abril de 1974 a Cadeia da Relação, o local onde Camilo Castelo Branco escreveu em apenas 15 dias a sua obra-prima “Amor de Perdição”.

Neste local pode visitar a cela número 12 onde esteve preso o escritor, acusado de ter “copolado com uma mulher casada”, juntamente com a sua amada Ana Plácido, acusada de ter “cometido adultério”. Ambos foram absolvidos em tribunal num julgamento presidido pelo pai de Eça de Queirós, o juiz José Maria de Almeida Teixeira de Queirós, num caso que emocionou a opinião pública.

Romancista, cronista, crítico, dramaturgo, historiador, poeta e tradutor, Camilo Castelo Branco foi um dos escritores mais prolíferos e marcantes da literatura portuguesa, figura maior do movimento romântico. É o escritor português mais publicado de sempre.

A sua obra-prima “Amor de Perdição” (1863), é a versão portuguesa de Romeu e Julieta, que representa uma confissão de revolta do próprio Camilo Castelo Branco por se ter envolvido num amor proibido com uma mulher casada. Uma das mais eternas histórias de amor da literatura portuguesa que é um apelo à liberdade do amor contra as exigências sociais do século XIX. Da sua obra destacam-se ainda as “Memórias de um Cárcere” (1862), no qual o escritor descreve a dura realidade da Cadeia da Relação (enxovias frias, húmidas e sujas, com as latrinas a largarem um fedor que se respirava nas ruas), “A Queda de um Anjo” (1865), entre outras obras.